A Geopolítica da Resiliência: O Imperativo da Ordem Global.
Presidente von der Leyen versus críticos.
Discurso brilhante versus críticas oportunistas.
A Presidente von der Leyen, no discurso aos embaixadores da UE, já abordado na publicação: Crise da Ordem Global, reafirmou que: num mundo marcado pela fragmentação e pela política de afirmação pela força, a União Europeia não é apenas um observador, mas o baluarte central da ordem internacional fundada em regras.
Sintetizamos em 3 pontos as ideias essenciais que defende quanto às políticas de : Defesa, Segurança, Externa e Cooperação.
1 - Defesa Intransigente do Multilateralismo.
A Presidente sublinhou que o multilateralismo não é uma escolha nostálgica, mas uma necessidade existencial.
• Protagonismo Europeu: A UE defenderá e apoiará sempre uma ordem global baseada em regras que ajudámos a moldar no pós-guerra não podendo, todavia, ser sua guardiã no actual cenário global.
• Fidelidade aos Princípios: A Presidente Von der Leyen reiterou o compromisso inabalável com a Carta das Nações Unidas, posicionando a Europa como o "parceiro de confiança" num sistema global que muitos tentam corroer.
2. Segurança e a Defesa da Soberania
No campo da segurança, a mensagem foi de firmeza e autonomia estratégica:
• Arquitetura de Segurança: A Presidente defendeu que a segurança da Europa é indissociável da defesa da legalidade internacional. O apoio à Ucrânia foi apresentado como o teste supremo à nossa capacidade de manter a ordem contra a coerção.
• Poder de Dissuasão: vincou a necessidade de uma Europa "capaz de agir", sugerindo que a diplomacia só é eficaz quando sustentada por uma capacidade de segurança real e credível.
3. Cooperação e a "Global Gateway"
A política de cooperação foi elevada ao estatuto de ferramenta geopolítica de primeira linha:
• Alternativa de Valores: A Presidente promove a ideia de que a cooperação europeia oferece uma proposta de valor baseada na transparência e na sustentabilidade, contrapondo-se a modelos de dependência e dívida impostos por outros atores globais.
• Parcerias Estratégicas: Sublinhou a urgência de aprofundar laços com o "Sul Global" através de uma cooperação que respeite a soberania e as regras do jogo internacional.
Em nossa opinião um discurso brilhante e assertivo.
Ideia Central:
Para a Presidente, a União Europeia deve ser uma "Potência de Regras". Em vez de ceder à lei do mais forte, a UE deve usar o seu peso económico e diplomático para garantir que o futuro seja ditado pelo Direito Internacional e pela cooperação multilateral, permanecendo fiel ao ADN de paz e estabilidade que a fundou.
Esta avaliação imparcial, porque baseada no verdadeiro significado das palavras da senhora Presidente, leva-nos a condenar firmemente as críticas baseadas em interpretações deliberadamente distorcidas palavras da Presidente.
De facto as críticas formuladas por: Josep Borrel, Gérard Araud, Pedro Sánchez e mais suavemente por António Costa e sua mensageira num órgão da comunicação social portuguesa, são incorrectas e infelizes, com a agravante de os seus autores serem personalidades com notoriedade política.
Indiferentes ao "clima político" que enfrentamos, especialmente hostil para o Projecto Europeu, proferem declarações infundadas sem seriedade política factual posicinando-se do lado dos inimigos internos e externos do Construção Europeia.
Todos se dizem grandes europeístas; todavia, com estas posições, será por certo, um europeismo de interesses pessoais ou de grupo.
Ignoram as dificuldades estruturais do modo de governação europeia no qual têm responsabilidades, que no caso do Conselho Europeu, se revela um órgão de bloqueio e paralisia da UE por via da unanimidade.
O que os cidadãos europeus (UE) esperam desses e outros políticos é que contribuam com propostas sérias para a melhoria da governação da UE, sugerindo modos de actuação conjunta em políticas cruciais de reforço dos elos de ligação entre as Regiões (EMs) que valorizem as capacidades da União e potenciem a sua afirmação como actor geopolítico Global.
Para isso é essencial, que estes intervenientes e os cidadãos comuns, sobreponham os interesses da União aos partidários ou de grupo.
Têm esse dever moral de reconhecimento do muito que a União - apesar das suas insuficiências- nos tem proporcionado em termos de qualidade de vida e estabilidade.